
E a tal Verdade?
Alguém viu? Alguém pegou?
Eu nunca vi, mas sei que existe por aí.
Como caiporas, lobisomens de algum mato,
Assombrações, botos, boitatás e sacis.
Ando nas ruas,
Olho os becos mais escuros,
Meço e apuro cada canto do lugar
Espreito frestas, desço em bueiros,subo muros
Mas a tal Verdade não tá lá.
Alguém me avisa
Solta um grito, me cutuca
Mas me salva da arapuca
Que tá sempre por um triz!
Não deixa o sono
Me vencer, me dá rasteira
Me derruba da cadeira
Dá um soco em meu nariz!
Atua e canta
Tenta a tua sorte cega
Nega o medo, pula e pega
E não solta nunca mais!
Esquece a busca
Mente, engana, até canastra
Que a Verdade se alastra
Na agonia, já sem paz.
É nesse instante
Que a tua chance
Pinta
E a verdade vira a tinta
Que disfarça o teu sorriso
E qual palhaço
Já no fim de sua cena
Esquece o riso, a dor e a pena
E a agarra sem aviso.
E é entre os dedos
Já presa na tua teia
Que a Verdade vira areia
Pra escorrer sem nem te olhar...
Foge sorrindo
Pulando quase sem pressa
Ciente de que começa
Outra história pra contar.












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